Por quê a Transformação Digital não é Fácil ?

Jaime Nagase
4 min readDec 28, 2021

A transformação digital significa mudar a forma como a empresa toda pensa, age, gerencia e lidera o trabalho colocando o foco verdadeiramente no Cliente

A Transformação visa mudar e sair do modelo organizacional tradicional que normalmente possue muitos silos entre as áreas, não somente dentro da TI como fora dela. O modelo organizacional mais tradicional encontrado é o seguinte:

https://www.nibo.com.br/blog/modelos-de-organograma-empresarial/

Ao analisar é fácil dizer os benefícios e as dificuldades deste modelo, especificamente existe um formato de especialização bem nítida de conhecimentos e que também gera uma certa interdependência entre as áreas, como no Fordismo, os processos rodam de forma horizontal, passando por várias áreas até o final da “esteira" para que tudo ocorra bem. Mas se alguma área vira gargalo, o processo fica moroso e até ineficiente.

O ponto que mais gera conflito nesta abordagem para transformação é que a TI por si só não trará os ganhos necessários à empresa, a cadeia inteira de valor agregado de produtos aos clientes tem que mudar, ou seja, o modelo acima deve ser repensado colocando o Cliente no Centro.

Para isso unidades autônomas são criadas unificando áreas antes separadas, ou seja, dentro de uma mesma área temos Marketing, UX, Product Management, Project Management, Atendimento, entre outras e TI. Essa nova estrutura faz com que as empresas especializem seus produtos, tomem decisões personalizadas e rápidas para cada um de seus diversos grupos de clientes.

Imagine uma unidade de entrega de um produto de cartão de crédito, onde Marketing, UX, TI, Financeiro tenham as mesmas metas e objetivos em comum para serem atingidas. Neste sentido temos todas essas figuras com as mesmas metas e respondendo diretamente para um único líder com foco naquele cliente específico: o Cliente do Cartão de Crédito.

Assim como dito acima os processos deixam de ser horizontais, passando por várias áreas para um novo modelo centralizado dentro de células independentes, fazendo com que as tomadas de decisão sejam realizadas de forma mais rápidas e de forma centralizada no cliente. A figura abaixo mostra um modelo celular independente.

https://www.scaledagileframework.com/business-agility/

O discurso parece simples: Basta então colocar uma pessoa de cada área trabalhando por produto dentro de uma célula, certo? Na teoria aparentemente sim, já na prática… Nem tanto!

Os principais desafios de uma transformação digital:

  1. Abrir mão da gestão centralizada dos colaboradores: Alguns líderes temem perder o controle operacional de suas áreas e de seus colaboradores. Esse pensamento antigo faz com que a movimentação de colaboradores e a formação de células independentes demore mais que o normal.
  2. A otimização de recursos é deixada de lado, pelo menos no início, pois a empresa ao montar células dedicadas, provavelmente terá que aumentar seu quadro de funcionários. Imagine agora que um colaborador que executava um processo para vários tipos de clientes agora, muda e se especializa abrindo vagas para o mesmo processo para os demais clientes/células independentes.
  3. Pensamento de que a transformação digital acontece apenas do lado da TI: outras áreas como RH e Produtos ao se adaptarem gera agilidade no processo todo gerando benefícios ao cliente de ponta à ponta, eliminando os concorrentes e correntes gargalos nos processos horizontais que estão fora da área de Tecnologia, como contratação de pessoal de forma rápida e também tomadas de decisão em relação ao mercado que o cliente se insere.
  4. Gestão por dados: é essencial e tem que ser verdadeira, ou seja, deve-se implementar uma governança de todos os dados primordiais em todas as camadas para que os gestores consigam direcionar seus times ao invés de controla-los (vide item 1)
  5. Abrir mão do controle operacional: para um controle centrado em OKR’s, onde o gestor não mais dita as regras de como atingir as metas, ele apenas guia seus colaboradores para que eles achem o caminho, colocando sempre o objetivo na entrega de valor ao cliente;
  6. Avaliação 360 baseada em honestidade e fatos: a mudança de avaliação é super necessária, pois os colaboradores devem avaliar-se e aos outros de forma franca sempre olhando se aquele colaborador, que esta sendo avaliado, possui a cultura da empresa e está ajudando a impulsionar, atingir e superar os OKR’s que a empresa está perseguindo.
  7. Os Líderes devem ser líderes: parece uma coisa simples, mas os líderes devem guiar, direcionar de forma clara ajudando nas entregas e dando cada vez mais liberdade de decisão ao time ( com foco nos OKR’s, claro ), comprando riscos, assumindo responsabilidade sempre com pensamento de longo prazo, e ajudando o time e cada colaborador a evoluir seus potenciais.
  8. A transformação digital precisa vir Top-Down, pois a mudança cultural só acontece através do posicionamento e vontade de seus líderes, mais precisamente os CEO’s.

Afinal, muitos caminhos devem ser seguidos para uma transformação digital, mas todos possuem os mesmos desafios, o mais importante é você estar pronto para essa transformação, seja você um estagiário, seja você um gestor.

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